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Goiás08 de outubro de 2026

Médica é demitida após sugerir retenção de pacientes por preferência política em Goiânia

Uma médica foi desligada de uma maternidade em Goiânia após a divulgação de mensagens em que orientava colegas a não darem alta a pacientes identificadas como 'petistas'. O caso gerou repercussão e motivou ações de apuração por parte das autoridades competentes.

Por Redação Radar do Vale GO

Médica é demitida após sugerir retenção de pacientes por preferência política em Goiânia

A Maternidade Célia Câmara, em Goiânia, desligou de suas funções a médica Marcella Segato de Sousa Melo. A decisão ocorreu após a repercussão de mensagens de WhatsApp, enviadas por ela, que sugeriam a colegas que não dessem alta a pacientes supostamente filiadas ao Partido dos Trabalhadores (PT). As mensagens, datadas de 2 de outubro e exibidas pela TV Anhanguera, diziam: "Quem estiver na enfermaria sábado e domingo, não dar alta para ninguém, a maioria é petista".

Marcella, que atuava como chefe da ginecologia e obstetrícia da unidade, foi inicialmente afastada durante a investigação do caso. Em nota, a médica lamentou o ocorrido, mas afirmou que as mensagens, enviadas em um grupo privado, não se converteram em condutas inadequadas e que nenhuma paciente teve alta atrasada ou negada por motivos políticos. Segundo ela, todas as liberações hospitalares seguiram exclusivamente critérios clínicos.

A maternidade, administrada por uma organização social e com a médica contratada por uma empresa terceirizada, reforçou que não adota posicionamento político-partidário e que as manifestações representavam opiniões pessoais da profissional. O hospital garantiu que a assistência é pautada por princípios de ética, impessoalidade e critérios técnicos, independentemente de convicções políticas ou ideológicas dos pacientes. Medidas internas de apuração foram adotadas, assegurando o contraditório.

O Conselho Regional de Medicina do Estado de Goiás (Cremego) informou que todas as denúncias relacionadas à conduta ética de médicos são apuradas sob sigilo, conforme o Código de Processo Ético-Profissional Médico. Paralelamente, a Procuradoria Regional Eleitoral em Goiás (PRE-GO) solicitou a investigação do caso, encaminhando-o ao Ministério Público Eleitoral para as devidas providências e adoção de medidas preventivas para garantir o livre exercício do voto.

Este episódio reacende o debate sobre a ética profissional e a imparcialidade no atendimento à saúde, especialmente em contextos que envolvem manifestações políticas. As investigações buscam esclarecer se, de fato, houve impacto nas condutas médicas e no atendimento aos pacientes.